quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Feminismo não é ódio, feminismo é empatia.

Eu tenho visto uma tendência muito grave nas redes sociais de algumas mulheres inteligentes e feministas agindo como se quisessem se igualar aos machinhos machistinhas bostinhas. Frequentemente vejo algum post foda, relatando algum caso sério (que poderia servir para uma análise mais profunda da situação da nossa sociedade machista e como ela afeta mulheres e homens), e quando vou sedenta aos comentários, vejo várias mulheres atacando aos homens de forma muito generalizada e ofensiva. Sexismo puro. Sabe quando falam que mulher só sabe dirigir fogão? Então, toda mulher sente uma revolta dentro de si ao ouvir essas palavras. Como vocês acham que os homens que tentam ser decentes se sentem quando dizem que todo homem é fdp, ou que todo homem é lixo, ou que todo homem é um estuprador em potencial? A verdade é que as coisas só estão assim pois a sociedade até hoje sempre viu homem como homem, mulher como mulher, gay como gay, negro como negro, enquanto só deveria se preocupar em ver gente como gente. Mas não, muita gente é tratada como lixo, muita gente é menosprezada, subestimada, calada, abusada, maltratada.  Quem não consegue ter essa visão de que somos todos meros humanos, iguais em essência, usa “desculpas” esfarrapadas para seu ódio (“ah, seu viado, vai dar o cu”, “mulher no volante, perigo constante”, etc.). Quem não consegue sentir empatia por quem é de outra cor, outro gênero, outra orientação sexual, acaba se tornado o tão odiado HATER.
Quem nasceu com vagina cresceu ouvindo haters hating. Toda mulher já ouviu que seu lugar é na cozinha, mesmo que tenham falado “brincando”. Toda mulher já foi objetificada por homens. Toda mulher já teve medo de ser estuprada ao andar sozinha em algum lugar deserto. Toda mulher cresceu sofrendo lavagens cerebrais, dentre elas de que um filho é responsabilidade maior da mãe do que do pai. Toda mulher já se martirizou tirando as sobrancelhas, fazendo depilação ou aguentando algum evento interminável sobre saltos altíssimos (mesmo que uma vez na vida tenha bastado para aprender que dor nenhuma vale a pena se for SÓ pra ficar mais atraente para a sociedade. Minha avó dizia que às vezes, para a mulher ficar bonita, ela precisa sofrer. Nunca tive a oportunidade de perguntar, mas bonita pra quem?). Enfim, toda mulher já passou maus bocados por causa do machismo e da tendência que nossa sociedade tem em querer calar, ao invés de ensinar, em restringir mentes, ao invés de ampliá-las. Mas isso não dá direito às mulheres de serem cuzonas. Na boa, eu acho muito grave a mulherada dizendo que todo homem é um estuprador em potencial. Ou falando que homem é ruim, homem é egoísta, homem é violento, homem é agressivo...  Muitos homens são tudo isso, assim como eu conheço mulheres agressivas, mulheres más, mulheres egoístas... Enfim, a ruindade, assim como a bondade, é parte do ser humano, e não de um gênero. O que podemos analisar é o fato de mulheres e homens crescerem na mesma sociedade machista, uma sociedade que interage de forma preconceituosa com cada indivíduo, prevendo gênero, cor, orientação sexual, renda, linguajar, vestimenta, várias coisas. Essa sociedade (leia-se família, vizinhos, professores, colegas, desconhecidos no metrô, etc.) trata as pessoas, desde bebês, de formas diferentes dependendo do órgão sexual com que nasceram. Meninos crescem tendo que suprir uma cobrança dos pais para serem machinhos machistinhas nojentos. É muito comum, desde criança, o pai passar a mão na cabeça do menino “namorador” (o que é ridículo, afinal criança não namora, criança brinca), falar que homem não chora, falar das “vagabundas”, objetificar toda mulher que vê, realçando as “qualidades” pro filhão entender como funciona ser machão machistinha de merda. E quer saber? A maioria dos machos se acomoda. É bem cômodo viver numa sociedade que passa a mão na sua cabeça sempre. Numa realidade em que mamãe vai sempre fazer sua comidinha, até você casar... aí é a “sua mulher” (olha só quanta posse nessa expressão) que vai te alimentar, cuidar de você, das suas coisas, da sua casa, dos seus filhos. E o homem? Ao homem cabe proteger a família, assistir futebol e beber a cervinha depois do trampo, afinal homem também é filho de deus (“amooor, aproveita que você tá na cozinha terminando o jantar e traz uma cervejinha pra mim, traz?”).
Mas nós, feministas, não nos conformamos com esse “ideal” descrito acima. Graças à muita luta de várias gerações, hoje a sociedade é bem mais suportável para a mulher. Como já disse, continuamos sofrendo assédios (muitas vezes graves), ouvindo piadinhas escrotas, sofrendo imposições estéticas com requintes de tortura, e tendo nossos mamilos ao mesmo tempo censurados e objetificados (apesar de serem exatamente iguais aos mamilos masculinos). Ainda está longe do ideal, mas pelo menos hoje o homem que bate na companheira em casa, quando exposto, é malvisto e pode ir preso. O estuprador idem. (Devemos lembrar que até pouco tempo não existia no Brasil leis que defendessem as mulheres da violência doméstica, e até outro dia os pais de uma menor estuprada podiam obriga-la a casar com o estuprador para manter seu nome “limpo” e evitar cadeia ao criminoso*). Na verdade, ganhamos várias batalhas, e a situação feminina melhorou muito, comparada ao que era.
Porém, com toda essa revolta (não só histórica, mas por tudo que fomos submetidas desde que nascemos), é preciso tomar muito cuidado para não nos tornarmos “iguais” aos machistinhas de merda que tanto odiamos. Os homens, apesar da criação bem bosta que a maioria teve, são só pessoas. Pessoas, que como nós mulheres, sofreram lavagem cerebral desde que nasceram. A maioria dos homens com quem eu tenho contato está cada vez mais atenta aos seus hábitos machistas, está cada vez mais atenta às injustiças e às merdas que outras pessoas fazem/falam. Essa maioria com quem tenho contato se esforça todo dia pra não ser um machinho machistinha de merda, e se todos os homens se esforçassem assim, a sociedade já seria melhor do que é. Mas ao xingarmos e excluirmos essas pessoas conscientes, estamos excluindo possíveis aliados nessa batalha. Pense num homem que tenta ser uma pessoa melhor a cada dia, que trata as mulheres com respeito, que tenta conscientizar os amiguinhos menos esclarecidos sobre suas atitudes machistas. Aí ele está lá, lendo os comentários de um texto feminista fodão com o qual ele concordou com todas as palavras, e se depara com comentários extremamente sexistas, generalizando todos os homens e esquecendo que eles, como nós, são meros humanos, cheios de defeitos, perdidos e aprendendo toda hora.  Aí esse cara legal, cabeça aberta e feminista, se vê colocado no mesmo patamar de um estuprador, de um agressor ou mesmo daquele primo idiota que só fala bosta, pelo simples fato de ter um pênis. Eu, no lugar desse homem, sentiria raiva dessas mulheres. Assim como eu, mulher, sinto raiva das pessoas que falam alguma bosta generalizando as mulheres (como quando meu ex-chefe falou que uma empresa só com mulheres é difícil porque mulher fofoca muito e trabalha pouco. OI?)
Esse homem, que mesmo entendendo o motivo da revolta das mulheres nos comentários, acaba se sentindo excluído da luta, e pior, sendo visto como o inimigo (sendo que a luta feminista não é contra os homens, e sim contra a sociedade e seus valores ultrapassados). Esse homem, se não for muito resiliente, tende a abandonar o feminismo e voltar à sua posição confortável de machinho – e muitas vezes machistinha. Como isso ajuda a sociedade a se tornar uma sociedade melhor? Não ajuda. Só a estagna nesse momento bem bosta em que vivemos.
Então, queridas e adoradas feministas, vamos lembrar que nossa luta também é pela empatia, e não é abrindo mão dela ao confrontarmos os homens que vamos melhorar nossa sociedade.






*Uma matéria que me chocou muito quando li há foi uma semelhante a esta, do BBC Brasil: http://soumaiseu.uol.com.br/noticias/solidariedade/fui-obrigada-a-casar-com-o-meu-estuprador-aos-13-anos.phtml#.WYIw0ogrKUk

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Poesia tributo à bela poesia que nunca existiu.

Sempre acabo no desabafo,
desinibido e doído,
escarrado e sentido.

A princípio, pensamentos
a mil, sentimentos.
Palavras belas se encaixavam
lindamente, me deleitavam.

Em seguida, num espanto,
deixando só seu encanto,
a poesia, que nunca existiu,
escafedeu-se e sumiu.

E assim, então,
a poesia vem e vai,
linda em pensamento,
mas horrible on the lines.

Gênero é opressão.

Todos nós somos vítimas de uma sociedade cruel. Cheia de estigmas e de padrões ridículos, esta sociedade nos quebra e nos molda todos os dias, fazendo-nos perder sonhos, envenenando nossas essências e corrompendo nossas almas.
Desta sociedade que tem tantos adjetivos, um que quebra nossas pernas todos os dias é o machismo. O machismo é um tapa na cara de todos os indivíduos. Nenhum escapa. Somos todos vítimas dele. Mulheres ou homens. Claro que a opressão histórica (e contemporânea) que a mulher sofreu (e sofre) é muito maior (e mais violenta), porém falar que o homem não é vítima do machismo é um grande engano.
Antes de continuar, acho importante frisar que a ideia de gêneros, de menino e menina, de homem e mulher, é só mais uma convenção social, uma herança de tempos passados. Hoje, de forma nenhuma há a necessidade de diferenciar quem tem pênis de quem tem vagina. Na sociedade de hoje, onde há uma luta constante contra qualquer tipo de opressão, não há espaço para gêneros. Não havendo gêneros, não há orientação sexual, nem seus tabus, e os seres humanos finalmente viram livres para serem pessoas capazes de amar outras pessoas.
Quando as pessoas tiverem essa liberdade de amar outras pelo que são, e sem o preconceito inicial que o gênero cria, elas também serão livres para se vestir como quiserem, falar e se expressar da forma que quiserem. Ninguém vai ter que se provar macho ou feminino, e todos serão livres para serem quem são, sem julgamentos, expectativas, preconceitos ou estigmas. Pessoas com seios poderão sair sem camisa sem serem sexualizadas, pessoas com barba poderão trabalhar usando maquiagem sem serem ridicularizadas. Se depilar, as roupas e sapatos a usar, e tudo mais, dependerá somente da vontade de cada pessoa, e nossos gostos finalmente não serão moldados por uma sociedade sexista e opressora.
Sei que isso parece utopia, mas não precisa ser. Depende só do que vamos passar para as próximas gerações. Sonho com um futuro no qual crianças consigam crescer livres desses estigmas, possam brincar do que bem entenderem, e se vestirem como se sentirem melhor. E que adultos mantenham essa mesma liberdade.

Mesmo sabendo disso tudo, com frequência me encontro lutando contra mim mesma. Um exemplo: Tenho tido vontade de cortar meu cabelo bem curtinho, mas sempre que cogito essa ideia, me flagro pensando na importância, então, de começar a me maquiar, como que, inconscientemente, querendo compensar a falta de feminilidade do corte. Mas isso, na verdade, é um absurdo! Afinal, meu cabelo, maquiagem ou minha aparência, não importam - ou pelo menos não deveriam importar. E assim, nossa essência - que é o que importa - se perde todos os dias, quando aceitamos nos moldar a esta sociedade vil, por mero medo de nos expormos.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Contempt poem.



No subjects interest me.
I seek for the vain.

But why?
Why does the easy consummate us?
And still, why doesn't the silly stand and why is the easy so hard?

I want to write the practical, I want to write what they want to read.
It kills me,
It hurts me.
It is not who I want to be.

I want to write about life,
about what I know and what I don't know.
I want to write poems,
Many stories I'll show.

The people are vain,
but the skies are blue.
Os ratos corroem a sociedade.
The rats are you!


They lie, they lie.


I can write,
I can feel.
Perhaps I only need to improve my will.

I can write about anything,
I can sing almost everything.
It all connects someway,
But how I cannot say.
Not now, anyway.

Doesn't matter!
You better go back to your pray.

You come along with my major changes.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cultura do Estupro.

Um conhecido me disse uma vez que a cultura do estupro não existe no mundo ocidental ou ocidentalizado. Ele me disse que o estupro é contra a lei, logo não tem como ser algo cultural. Ele me disse também, em outra ocasião, que havia uma menina na escola dele, que até era legal, mas que foi taxada de vadia e vagabunda porque um dia ela saiu com os amigos, ficou muito bêbada, e deu pra todos, rolou a maior putaria. Os ditos “amigos” da menina saíram contando a história pela escola, contando inclusive que ela estava alucinada, e nem sabia o que estava fazendo de tão louca. Agora péra. Só eu acho que a menina foi estuprada? Pois se ela realmente estava tão louca assim, não existe consentimento aceitável. Belos amigos, hã? Como se estuprá-la já não fosse bosta o bastante, ainda criaram o estigma de “vadia” pra ela, um estigma que 10 anos depois ainda é lembrado. Uma menina adolescente em pleno desenvolvimento emocional é forçada a passar por isso, e todo mundo dá risada? Pior, todo mundo aceita. Os estupradores saem lindos na história, e a vítima é excluída em seu meio social. “Ahh, mas a menina nunca falou que foi estuprada!”  Ok. E daí? A pessoa que apanha do companheiro em casa toda semana, há anos, e não fala pra ninguém por medo, insegurança, amor, ou qualquer motivo que seja, não é vítima de abuso em sua própria casa? Só porque ela não anuncia esse abuso, ele não existe? Calma lá, né?! 
Agora, vamos pensar... estupro é ilegal, estupradores são mal vistos na sociedade, dizem que até na cadeia estuprador sofre mais. Legal, estupro não é bem aceito. Muito bom. Mas então, como que um grupo de rapazes fazem sexo com uma menina que está tão bêbada que não sabe nem o que está fazendo (ou seja, a estupram), e saem contando pra todo mundo, como se fosse algo a se gabar? Pra mim fica claro que esses meninos não se identificavam como estupradores. Se identificavam como sortudos que acharam uma mina fácil. Não identificaram a situação como estupro, pra eles era a ordem natural das coisas.
Então é assim? Rola um estupro em grupo, os estupradores se gabam do estupro para seu meio social (no caso, os colegas de escola), a vítima é marginalizada (excluída em seu meio, e sofre preconceito), as pessoas escutam a história e não conseguem identificar o estupro, e não existe cultura do estupro no Brasil? Por isso que acho muito importante a divulgação de informação que a internet e as redes sociais nos proporcionam, pois as pessoas precisam aprender a identificar essas situações. Se aqueles meninos tivessem tido contato com essas informações, e conseguissem identificar a situação em que estavam, talvez o estupro não tivesse acontecido. E se tivesse, eles provavelmente não se gabariam disso na escola, e saberiam que são estupradores. A vítima saberia que foi estuprada, e talvez fosse acolhida ao invés de excluída.
Ainda se esse caso de estupro grupal considerado proeza masculina fosse o único, seria menos mal. Mas não. Na minha realidade, além desse que me foi contado, já soube de outros 2 estupros grupais, envolvendo pessoas conhecidas, nos quais as vítimas foram taxadas de vagabundas e os estupradores de machões comedores boazudos. Fora os outros inúmeros casos que acontecem, alguns aparecem no jornal, outros as redes sociais nos mostram. O caso é que a cultura do estupro existe sim, e precisa ser combatida. E ela está presente em todas as classes sociais. Conscientização é o primeiro passo. Treinar empatia é o segundo.

Cada um tem a sua realidade. Isso é fato. Empatia é a capacidade de se colocar na realidade de outra pessoa, e identificar como essa pessoa deve se sentir em relação a determinado circunstância. Hoje em dia ninguém mais exercita a empatia. Não sou médica ou pesquisadora, mas me parece que quando exercitamos a empatia, exercitamos uma região específica do cérebro, uma região que se fortalece conforme exercitada, já que o cérebro é um músculo, se tornando mais fácil acessá-la com o tempo. Ao meu ver isso faz muito sentido, pois percebo em minha realidade que pessoas que foram ensinadas a exercitar a empatia desde crianças, sentem muito mais facilidade em se colocar, de fato, no lugar de outra pessoa e sentir, de fato, o que é provável que a pessoa esteja sentindo. Ensinem seus filhos, desde criança, a se colocarem no lugar de outras pessoas.  Faz bem pra eles e faz bem pro mundo.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Angústia

Venho com muito pesar no coração informar uma situação horrível pela qual estamos passando. É inaceitável! É tão absurdo que beira o ridículo! Por favor, leiam até o fim e compartilhem. Isso não pode ficar assim!

Quem me conhece sabe que sempre tive animais e sempre cuidei com todo amor, afeto e carinho possível. Quem me conhece sabe que meus cachorros são mais que bichinhos de estimação, são meus filhos, meus companheiros e meus amores. E quem me conhece também sabe que meus dois filhos caninos têm liberdade pela casa e pelo quintal, e que a cama deles é na sala ao meu lado.

Bem, contarei este caso horrendo do início. Recentemente descobrimos que um de nossos cachorros, o Banzah (pitbull conhecido como o cachorro bonzinho) está com um câncer agressivo na narina direita. Depois de realizar diversos exames, foi constatado que o sarcoma é incurável, porém que ele não está sentindo dor, e que com quimioterapia conseguiríamos prolongar sua vida com qualidade e sem sofrimento. De acordo com a veterinária, que é madrinha e tia de meu marido, ele poderá viver feliz por aproximadamente seis meses, e quando a questionamos sobre a possibilidade de adotar uma bebê canina para animá-lo, ela disse acreditar que pela personalidade dele, um filhote seria uma ótima companhia, tanto para ele quanto para o Johnny, que cresceu com o Banzah e ficaria sozinho quando ele se for.


Então, passamos a procurar uma bebê para adotarmos. Decidimos que gostaríamos de pegar uma fêmea filhote, filha de pais grandes. Postei as nossas expectativas para a mais nova moradora da casa em diversos grupos aqui da região onde moro. Como que caindo dos céus, entramos em contato com uma moça que havia resgatado uma cadelinha Sem Raça Definida, quando prenha de um Dogo Argentido, e que os filhotes estavam completando 45 dias. Haviam duas fêmeas para adoção, e a dona delas, com o coração aberto, as trouxe aqui em casa dia 11/04/2017, para as conhecermos. Logo nos apaixonamos pela Zelda, esta que vocês podem ver no vídeo. Como a dona gostou de nós e do nosso espaço, depois de questionar sobre nossa disponibilidade de tempo, sobre o espaço em que os cães podem frequentar da casa (todos) e sobre nossa experiência em criar cachorros, ela nos entregou a bebê e disse estar muito feliz com a adoção. Continuamos trocando mensagem à noite, pois ela queria saber se a Zelda estava bem e se os dois lindões a haviam aceitado bem. Como vocês podem ver no vídeo também, eles fizeram a maior festa para ela. O Banzah parecia um filhote de novo, chamando ela pra brincar e a enchendo de beijos. Foram cenas lindas, de emocionar.


Ficamos, nós cinco (eu, meu marido, e os três filhos caninos, incluindo a Zelda), muito bem com ela aqui. Dormi na sala dividindo um colchão de casal com ela e com os outros dois, todos felizes. Ela me encheu de beijos e mordiscadas de amor a noite toda, o que resultou numa noite acordada para mim, me sentindo a pessoa mais amada deste mundo. Nos apegamos uma à outra e criamos um laço de amor lindo, em apenas uma noite.


Agora começa a segunda parte triste: na manhã seguinte, dia 12/04 (ontem), às 10h da manhã, recebi o telefonema de uma mulher. Ela mora aqui perto de casa, no mesmo bairro, e havia fornecido lar temporário à mamãe e aos filhotes. Porém os cães não são dela, são da moça que nos doou, o que ela negou. Ela me disse que a filhote era dela, que a moça que me doou só a estava ajudando, que as vacinas encomendadas para a ninhada haviam chegado, e que ela fazia questão de vaciná-la o quanto antes. Falei que não era necessário, que logo depois do almoço a levaria na clínica dos tios de meu marido e faríamos um check-up, assim como a vacinação. Falei para ela se tranquilizar pois eles são excelentes veterinários, e fariam tudo que fosse necessário. Ela insistiu, e mesmo eu falando que eu fazia questão de levar eu mesma, ela começou a bater aqui em casa (como ela conseguiu o endereço já não sei). Quando vi, ela era uma senhora idosa, e eu que sempre tive muita empatia por todos, acabei dando um voto de confiança e permitindo que ela a levasse para vacinar com a condição de que ela se comprometesse a trazê-la de volta até às 14h, pois eu ainda a levaria para fazer o check-up de qualquer forma, vacinada ou não. Ao meio-dia, liguei para ela para saber como a bebê estava, e ela me disse que achava que ela estava doente pois estava muito amuada e tristinha. Meu coração se partiu. Eu sei que ela me adotou tanto quanto eu a adotei, e sei que sua tristeza era por não estar mais aqui, afinal ela tinha ficado bem e feliz o tempo todo em que esteve comigo e com seus novos irmãos, e só chorou na hora que eu a entreguei à esta mulher. Pedi para ela trazê-la o quanto antes, pois se ela estava amuada eu queria leva-la o mais rápido possível na clínica. Ela se negou, falou que só devolveria a bebê quando ela se alegrasse. Me disse que ela estava com febre e possivelmente morrendo. Vocês podem imaginar meu estado ao ouvir isso. Falei que iria até lá para vê-la e leva-la correndo aos veterinários, mas ela se negou em me dar o endereço. Ela começou a gritar comigo dizendo que eu não iria mais ficar com minha filha, e desligou o telefone na minha cara.


Desesperada, entrei em contato com a moça que nos doou a Zelda. Ela ficou inconformada com a situação, deixou bem claro que a mãe e os bebês são dela, que essa amiga só disponibilizou o espaço. Ao ouvir que talvez a bebê Zelda estivesse doente, de prontidão passou lá e a pegou para levar na sua veterinária de confiança. Foram feitos exames de sangue que comprovaram que ela está saudável. A dona dos cães me disse que a traria de volta às 17h30 com o resultado do exame. Porém, quando ela foi lá buscar minha filha, a mulher não a recebeu, fingiu que não estava em casa. Depois de mais de uma hora lá batendo e esperando, essa moça que nos doou a Zelda acabou desistindo e indo para casa, e me explicou a situação. Nesta altura do campeonato descobri que ela mantém mais de 50 cachorros presos num espaço de um terreno pequeno, contendo uma casa e diversos “canis”. Muitos desses cães presos em cubículos de 2x2. Foi constatado através de conhecidos dessa mulher que ela é acumuladora compulsiva de animais, e que ela não tem condições financeiras ou emocionais de cuidar de todos. Foi constatado que ela depende de ajuda de terceiros para que os animais não morrerem de inanição. Isso é desumano, e minha filha está lá presa neste inferno. Ainda assim, conversei com a dona original, a pessoa que nos doou a bebê, e ela me disse que assim que acordasse hoje, iria lá buscar a Zelda para trazê-la de volta pra casa. Ao perceber que não havia nada que eu pudesse fazer naquele momento, depois de uma noite em claro e estômago vazio (no momento que entreguei a Zelda para “ser vacinada”, meu apetite foi junto), resolvi aceitar e esperar o dia amanhecer.


Depois de mais uma noite mal dormida, desta vez não por excesso de amor, mas por dor no coração e saudade da minha bebê, logo às 6h da manhã já mandei mensagem para a moça dona dos cães, dizendo que ela podia passar o quanto antes para deixar a Zelda. Algumas horas depois, recebo uma resposta pedindo para eu ligar em sua casa. Liguei e descobri que ela foi até a casa dessa mulher que sequestrou minha filha, e que a mulher se negou a entregar a Zelda para ela e ainda fechou o portão em sua cara.
Estou devastada, preciso resgatar minha bebê daquele lugar horrível. E mais, é preciso denunciar essa mulher por maus tratos, pois é inadmissível ela manter tantos cachorros presos e mal alimentados. Preciso da ajuda de vocês compartilhando este post para nos mobilizarmos e conseguirmos resgatar essas vítimas. Resgatar e dar lares para elas, pois não é justo os animais sofrerem mais ainda.
Tentei realizar um Boletim de Ocorrência por furto hoje, porém o homem que nos atendeu se recusou a fazer o B.O, disse que foi apropriação indébita o que a mulher fez, e que "com tanto bandido solto na rua acha que vamos deslocar viatura pra resgatar cachorrinho?".
Chegando em casa e contando o caso aos próximos, uma amiga me mandou o seguinte: “Apropriação indébita é o crime previsto no artigo 168 do Código Penal Brasileiro que consiste no apoderamento de coisa alheia móvel, sem o consentimento do proprietário.
Diferencia-se do furto porque, no furto, a intenção do agente de apropriar-se da coisa é anterior à sua obtenção, enquanto que, na apropriação indébita, o objeto chega legitimamente às mãos do agente, e este, posteriormente, resolve apoderar-se do objeto ilicitamente, ou seja, a apropriação indébita ocorre quando o agente deixa de entregar ou devolver ao seu legítimo dono um bem móvel ao qual tem acesso - seja por empréstimo ou por depósito em confiança.”
Nessas horas vemos como nossa ignorância pode nos prejudicar, pois acreditei naquele indivíduo cheio de má vontade e saí da delegacia aos prantos, me sentindo muito impotente e injustiçada.

Realizei denúncias de maus tratos em ONGs de defesa aos animais (não posso fazer um B.O pois não tenho fotos ou vídeos que provem a situação precária dos pobrezinhos). A mobilização é necessária para que atitudes sejam tomadas para acabar com a dor desses animais. Eles merecem um lar decente. E não aceitarei a opção de ficar sem a Zelda. Ela foi adotada por mim e é inaceitável esse sequestro. Eu e meu marido já nos prontificamos a adotar a irmã da Zelda também (que, se vier, se chamará Dota). Não podemos resgatar mais pois não teríamos condições, e não me comprometo a algo que não eu não posso cumprir. 

Edit 06/07/2017: Recuperamos a Zelda 2 dias depois de postar este texto no facebook, e graças à ele. Uma amiga da mulher que sequestrou a Zelda (e advogada da causa animal) conseguiu intervir e convencer a mulher de que era melhor devolver a baby antes que as coisas crescessem. Ela afirmou que a mulher era a dona original e que quem me entregou a puppy não poderia ter doado sem autorização dela. Tudo meio mal contado... Mas enfim, contanto que tirássemos o texto do face, devolveriam a Zelda.  Parando pra pensar agora, quase 3 meses depois, cena de sequestro total! Combinamos que o resgate seria pago no ato da entrega da bebê. Combinamos na manhã de sábado (15/04), eu mal podia aguentar a ansiedade. Galera da Maior estava aqui em casa para curtir o Banzah, e mesmo eu tendo ido dormir de madrugada, às 7 da manhã pulei da cama e fiquei na espera. Só de lembrar daquela ansiedade, eu tremo! Me enrolaram até às 12h40. Como que pra comprar meu silêncio, me chegam com aquela cachorrinha linda, num vestidinho amarelo deplorável. E naquele calor! Enfim, conseguiram. Não com o vestido, claro, mas com o tiro que deram em meu espírito, dor inacabável depois de dias sem dormir direito, sem comer direito, sem sorrir direito. Finalmente Zelda em casa, inevitavelmente texto deletado, incontestavelmente uma cicatriz em meu âmago. Todos felizes, se não fosse o fato de eu sentir que me vendi para o sistema. Depois de tudo que aconteceu, quando a Zelda voltou eu só quis sumir e esquecer o que havia acontecido. Até hoje, quando passo em frente a casa dela (rarissimamente) e ouço aquela gritaria canina, meu coração aperta e engulo amargo o gosto da corrupção. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Tic tac, tic tac.


É engraçado como interpretamos o tempo, conforme ele passa. Os últimos 10 anos se passaram e eu nem vi. Quando eu criei este blog, se eu passava semanas sem escrever já pareciam uma eternidade. Quando fiquei o primeiro ano sem escrever, fiquei chocada. Agora, relendo posts antigos, percebo gaps de anos sem qualquer post ou rascunho, e não me sinto mais chocada. A vida é assim, ela dá voltas, e nossas prioridades vão se alterando. Gastamos nosso tempo de outras formas, e coisas do passado às vezes se perdem. Nossas necessidades mudam, assim como nossa percepção da vida, do universo, de nós mesmos. Nossos interesses variam, e às vezes até nossos valores. Nós mudamos, apesar de nossa essência continuar a mesma.

Mas nossa concepção do tempo é o que mais muda. Quando crianças, meses pareciam anos, e anos pareciam (e eram!) uma boa parte da vida. Agora, chegando aos 28, preciso de uma década para sentir como se tivesse passado uma boa parte da minha vida. E isso me assusta. Ainda mais porque, em muitos aspectos, ainda me sinto aquela menina, ansiosa para fazer 18 anos e tirar sua carta de motorista. Esta década voou, especialmente os últimos anos. Aliás, parece que cada ano passa numa velocidade maior que o anterior. E isso também me assusta. Muito.

Eu escuto Time, do Pink Floyd, e inevitavelmente sinto arrepios. Além da melodia ser maravilhosa, a letra diz tudo que estou tentando expressar.




Ticking away the moments that make up a dull day
Fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
And you are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on quiet desperation is the English way
The time is gone, the song is over, thought I'd something more to say




Realmente, dez anos se passaram despercebidos, e tenho medo da velocidade que os próximos dez anos vão levar para passar. Queria ser uma Time Lady, imortal e com uma Tardis à minha espera. A percepção do tempo para eles é muito diferente da que qualquer mortal um dia pode ter. Para quem é imortal, com o tempo séculos passam a parecer meses, e dias não passam de um suspiro... Mas, diferente da nossa realidade, para quem é imortal, essa rapidez em que o tempo passa não é um problema. Se não envelhecêssemos ou tivéssemos que encarar a morte mais perto a cada dia, o tempo poderia ter a velocidade que fosse. O único sofrimento que resta é o apego ao que não tem a mesma validade. Apego às pessoas que morrem, às paisagens que mudam, às culturas que desaparecem ou às épocas que nunca voltam.




Como somos meros mortais, tudo que nos resta é o apego, sofrido ou não. O apego ao tempo, ao amor e à vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Hedwig and the Angry Inch



Hoje vou falar de um musical PESADO, que descobri por acaso e para o qual não dei nada. Logo nas primeiras músicas (que na maioria das vezes são parte do repertório do show de Hedwig and the Angry Inch) já me endireitei na cadeira e comecei a prestar mais atenção.
 Nesta que separei, eu já havia me apaixonado pelo musical. Porém, a história só evolui mais pra frente, e aí me apaixonei de novo, mas desta vez pelo filme como um todo.

Logo no começo de Hedwig and the Angry Inch, nos deparamos com Hedwig, uma mulher linda, poderosa e que canta muito. Logo depois da primeira música, já percebemos que Hedwig é perturbada pela existência de um tal de Tommy Gnosis (mais pra frente falaremos melhor dele), que apresenta as músicas de Hedwig como se fossem dele. Ele está sendo processado por ela, e a banda de Hedwig está fazendo sua turnê baseada na dele.

Yitzhak é parte da banda e atual marido de Hedwig. Durante o filme vemos ela o mal tratando várias vezes, e o relacionamento deles é complicado e cheio de mágoas. Acredito que Yitzhak só continuou ao lado de Hedwig por sentir que não tinha outra opção, já que era um imigrante casado com uma cidadã americana. Também fica bem claro, sempre, que Yitzhak gostaria de se travestir, o que Hedwig não aceita.

SPOILER ALERT!

Conforme Hedwig nos conta sua história, passamos a conhecer Hansel, um garoto alemão que cresceu do lado oriental de Berlin nos anos 60/70.


Filho de uma mãe alemã comunista e de um pai militar americano (que a mãe mandou embora por achar que abusava de seu filho), Hansel era um menino inteligente e apaixonado por música, que passava a maior parte de seu tempo ouvindo a rádio das forças armadas americana (com a cabeça enfiada num forno, pois só assim a mãe o deixava).






Hedwig conta que na última metade dos anos 80, ela, na época ainda ele, havia sido mandado embora da faculdade após entregar um trabalho brilhante sobre a influência agressiva da filosofia alemã no Rock’n’Rol, cujo título era “You, Kant, Always Get Wat You Want”. Com 26 anos sua carreira acadêmica havia acabado, ele ainda morava com a mãe e nunca havia beijado um homem. A cada dia sentia mais e mais desespero para se libertar e sair da Berlin comunista. Mas como? As pessoas morriam tentando...

Um dia, Hansel estava tomando sol e isto aconteceu:
Pode-se dizer que foi o que mudou sua vida, mas não necessariamente para melhor.


Com Luther, Hansel finalmente tinha esperanças de conseguir sair do lado oriental de Berlin. Sua mãe apoiava o relacionamento, e eles iam se casar. Sua mãe, chamada Hedwig, deu seu passaporte para o filho, e eles atualizaram a foto com uma do Hansel usando peruca. Porém, tanto Luther quanto sua mãe garantiram que ele só conseguiria sair de lá se ele abrisse mão de seu pênis. Se sentindo pressionado e sem alternativas, Hansel se submete à cirurgia. Cirurgia, esta, que não foi um sucesso, e nem de perto foi uma mudança de sexo. Pelo o que entendemos no filme, eles simplesmente cortam o pênis e os testículos fora, deixando ainda alguns centímetros (the angry inch).


Recém casados, mal chegaram aos Estados Unidos e Luther foi embora com um garoto, deixando Hedwig sozinha em um trailer no Kansas. Abandonada, tendo que aceitar seu novo gênero que foi escolhido por outros para si, Hedwig sofre ao ver que tudo que deixou para trás foi em vão, afinal o muro foi derrubado e seu amor acabou. O que lhe restou foi a solidão e a necessidade de se aceitar. Esta aceitação é retratada no filme com a relação de Hedwig com suas perucas.


Mostrando a luta pelos direitos autorais das músicas de Tommy Gnosis, Hedwig continua contando sua história. Sozinha, abandonada em um trailer num país que não é seu, Hedwig sobrevive trabalhando como babá, se prostituindo e fazendo qualquer trabalho que aparecesse. Hedwig conta também que havia voltado a se dedicar à sua paixão: música. Com uma banda de mulheres coreanas, Hedwig conseguia fazer covers e mostrar suas composições próprias, mas sempre em shows pequenos em lanchonetes ou bares.

Foi nessa época que Hedwig conheceu Tommy, um adolescente de 17 anos que adorava rock. Ela se encanta com ele, e aos poucos eles começam um relacionamento.



Ela passa todo seu conhecimento musical para ele, eles começam a se apresentar juntos e começam a ganhar dinheiro com música. Hedwig, então, começa a se dedicar completamente a isso.

Porém, em meses de relacionamento, além de Hedwig e Tommy nunca terem se beijado, ele ignora completamente a parte da frente de seu corpo. Até que um dia acontece, e o momento do beijo é mágico para os dois. Mas, apesar da empolgação inicial, quando Tommy sente a cirurgia mal feita de Hedwig, ele parece ficar com medo e foge. E assim acaba o relacionamento dos dois.

  


Voltando aos dias “atuais”, vemos o momento em que Hedwig surta e abre mão de tudo que tem. Yitzhak, cansado dos abusos, começa a correr atrás de sua carreira, e consegue o papel de Angie na turnê eslava de Rent. Quando ele confronta Hedwig, pede divórcio e diz que vai embora, ela mostra sua pior face e destrói o passaporte do marido. Com essa atitude, Hedwig perde qualquer apoio que tinha da banda ou da assistente, que pediu demissão logo em seguida.

Sozinha novamente, desta vez em Nova York, Hedwig passa a se prostituir para sobreviver. Até que um dia uma limosine pára em seu ponto. De dentro, sai um Tommy Gnosis estendendo a mão para Hedwig entrar. Na limo, ele passa um CD dele para ela, com a autoria das músicas atualizadas a caneta no verso, incluindo o nome de Hedwig.


Depois do acidente, Hedwig fica famosa (afinal, era uma mulher trans numa limosine com um músico famoso. Como se não bastasse, ela o estava processando por plágio), e com a fama sua banda e sua assistente voltam. Em sua primeira apresentação depois do acidente, Hedwig surta e destrói os instrumentos, se despe, tira a peruca e foge. Na verdade, esse surto não foi necessariamente externalizado. Pode ter sido só a epifania de Hedwig, e pode ter acontecido só em sua mente. Mas, a partir do momento que ela se despe, tira o sutiã, a peruca e incorpora o Hansel, é como se ele se libertasse daquela figura que impuseram a ele.

Então há esta cena com o Tommy, cantando uma alteração de uma música que Hansel compôs.


Assim, Hansel se liberta de Tommy e de si mesmo. Agora falta ele libertar seu marido, Yitzhak.



sábado, 28 de novembro de 2015

Prayers for Bobby


Comecei a fazer resenhas de filmes e séries. É algo que tenho vontade de fazer já faz um tempo.  A primeira é sobre um filme que assisti recentemente por indicação de um colega da UNESP.


Prayers for Bobby. Filme de 2009, relata a história real de um adolescente se descobrindo homossexual no início dos anos 80. Porém, as coisas não são simples para Bobby. Sua família é religiosa fervorosa, considera homossexualidade pecado e acredita na cura gay. Bobby, coitado, cresceu um menino bitolado (apesar de inteligente), e quando entende seus reais desejos, não consegue se livrar da culpa religiosa que sua mãe impregnou nele. Logo no começo do filme podemos ver o desespero que ele sente, a culpa e a depressão que só crescem.
Quando ele é arrancado do armário (ele só se abriu para o irmão que, por estar preocupado, logo contou para a mãe), foi obrigado a frequentar um psiquiatra para tentar se “curar”, e era frequentemente humilhado pela mãe, que fazia questão de sempre dizer como ele era pecador, ia para o inferno, era impuro, etc etc etc... Bobby, que era uma pessoa tão próxima da família, foi se afastando das pessoas que ele amava mais e mais a cada dia. 




Spoiler alert!



Com o passar do tempo e com as frustrações que seus tratamentos para deixar de ser gay traziam, Bobby, cada vez mais deprimido, não conseguia ter qualquer perspectiva de futuro. Até que um dia sua prima o visita, e ao ver o que ele passava diariamente com a família homofóbica, insiste que ele vá passar um tempo com ela em Portland. Depois de se frustrar mais um pouco com as pessoas que o rodeavam, ele resolve ir visitar a prima e fica dois meses por lá. 
Em Portland, Bobby quase consegue se sentir livre pela primeira vez. Logo conhece um homem por quem se apaixona, e aos poucos ele começa a se aceitar. Mas ainda sente culpa, e ainda não consegue se sentir à vontade com demonstrações públicas de afeto. Os dois meses se passam e Bobby acaba voltando para a casa dos pais. Lá, ele arranja forças e anuncia que pretende se mudar par Portland. Diz que está em um relacionamento com outro homem e que está apaixonado. Sua mãe, por não conseguir aceitar, vira as costas e ignora. Bobby a segue e a confronta, anunciando que ou ela o aceita como ele é, ou pode esquecê-lo. Ela estufa o peito e diz que não vai ter um filho gay. E assim, eles rompem seus laços. 
Bobby se muda para Portland e lá ele segue sua vida e seu relacionamento, tentando se esquecer da família que o abandonou. Sua tensão em relação à sua família fica óbvia quando os pais de seu namorado, que claramente aceitaram seu filho, o questionam sobre como foi a aceitação da família de Bobby.
É claro que ele ainda não superou a depressão, e em uma de suas crises, ao recorrer ao seu namorado, o descobre saindo de uma balada com outro. Seu coração se parte e seu desespero só cresce. Se sente cada vez pior, e sua mente entra numa espiral de lembranças ruins. Com a última conversa que teve com sua mãe ecoando em sua mente, Bobby se joga de um viaduto e se mata.




Parece conteúdo o bastante para um longa, não? 

É, mas o filme não para por aí. Agora é a hora de mostrar a redenção dessa mãe problemática, que culpou o filho por sua sexualidade, o ofendeu e garantiu que ele iria para o inferno. Agora, com ele morto, ela encontra seus diários e os lê. Vê que ele não escolheu ser gay. Vê a culpa que ele sentia mesmo sem ter escolha. Vê o medo que ele tinha de sua família odiá-lo por algo que ele não tinha controle. Então ela se pergunta: mas ele era um garoto tão bom, nunca fez mal a ninguém, será que ele foi mesmo para o inferno só por ser homossexual?
Inconformada com a possibilidade de não ter sua família reunida no paraíso após a morte, a mãe de Bobby começa a buscar respostas em outras facções de sua religião. Ao descobrir um pastor que ajudava homossexuais a se esclarecerem, ela o questiona e aponta trechos da bíblia que implicam que qualquer ato homossexual é pecado (e inclusive deve ser punido). O pastor, acostumado com esse tipo de pensamento, logo mostrou para ela outras atrocidades da bíblia (como um trecho que dizia que mulher adultera deveria ser apedrejada, que a punição para crianças desobedientes deveria ser a morte, etc), afirmou que ela foi escrita e é interpretada por humanos, e cabe a nós fazer a interpretação certa considerando os tempos em que vivemos. Logo que ela ouviu isso, disse que parecia blasfêmia. Mas com o luto e o medo, começou a ver as coisas com outros olhos. Começou a frequentar um grupo de pais, familiares e amigos de gays e lésbicas, e nesse grupo ela passou a ter uma perspectiva diferente dessa comunidade. 
Um dia, a ficha caiu. Ela teve uma epifania e entendeu o mal que ela fez para seu próprio filho. Ela percebeu que seu suicídio foi, em grande parte, sua culpa. Finalmente ela entendeu que o problema não era o Bobby, nem o que a bíblia dizia. O problema era ela. É lindo quando ela passa a participar da comunidade de forma ativa, e começa a lutar pelos direitos LGBT. Separei o discurso dela, que mostra essa realização e sua importância. O filme termina com ela e a família dela em uma parada gay. Todos felizes, se divertindo e espalhando amor. 




Filme pesado! Super recomendado. 



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Revolta, o Mínimo e Hipocrisia.



Revolta enche meu peito. Como lama tóxica, me afoga e me espreita. Como pode estar tudo tão errado? Como nós, seres humanos, nos deixamos chegar a este ponto? Como pode, uma espécie tão egoísta não conseguir se ver como uma unidade, e se deixar destruir achando que não está destruindo a si mesma? Como pode ser tão comum deixar a ambição ser maior que a razão? São essas questões que enchem meu peito de revolta. Suas respostas não me agradam nem um pouco, e parar para pensar nisso é revolta, decepção, frustração na certa. É muito mais cômodo ficar completamente NUMB e virar cúmplice de tudo que deve mudar e nunca muda.
Ultimamente esta revolta está tão intensa em mim que é quase insuportável ficar quieta. Quero gritar pro mundo que ele está errado. Quero gritar pras pessoas que elas são só mais um metal pesado nessa lameira toda em que nos atolamos. E o pior? Eu sei que sou cúmplice disso tudo, pois nem o Mínimo eu faço. O Mínimo, para mim, é aquilo que todos deviam fazer. Mudanças simples de hábito que, em larga escala, resultariam numa imensa melhora ambiental e social, assim como, a longo prazo, possivelmente numa melhora econômica (em âmbito global).
O Mínimo pode ser dividido em duas partes: a parte prática, com atitudes que tomamos no dia a dia, e a parte a ser internalizada, que envolve assumir seus preconceitos e seu machismo, e trabalhar estes aspectos, gerando aceitação e tolerância. Envolve também se desprender das aparências, da futilidade e dos estereótipos. Dentre o Mínimo prático, inclui-se abster-se de carne (sim, TODA carne. E sim, peixe É carne.), separar lixo reciclável do orgânico (e se possível, utilizar o orgânico), racionar energia elétrica e água, e evitar produtos industrializados, optando pelos naturais sempre que possível.
Se pararmos para pensar, são atitudes muito simples. Pequenos hábitos a serem mudados, que certamente melhorariam a saúde, o emocional e o financeiro de quem os mudassem. Mesmo sabendo dos benefícios individuais e sociais que estas mudanças trariam, poucos mudam. E eu me pergunto... por quê?


Obs. Quando eu digo o que deve mudar, estou expondo uma opinião relacionada à minha concepção pessoal, aos meus valores, minhas análises, meus desejos e minhas ideias. Cabe a você discordar de tudo que eu disser, se lhe convier.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

#meuamigosecreto

Tô passada com tantos casos que li, de ontem pra hoje, na minha timeline. Casos mais sérios, que aconteceram com pessoas queridas por mim, e casos - infelizmente - corriqueiros, que acontecem frequentemente com tods nós. Estou falando de coisas pesadas. Estupro, violência, abusos em todas as suas formas.
Oi?! Estamos em 2015! Como podemos viver em uma sociedade onde os valores ensinados a meninos e meninas são tão diferentes? Gente, pelo amor de deus, ensine seu filho que ESTUPRAR É ERRADO! Ensine que NÃO PODE MEXER NAS AMIGUINHAS DA IRMÃ (NEM NA IRMÃ, viu?!). Ensine que MULHER NÃO EXISTE PRA HOMEM PEGAR, e que A MULHER PODE FAZER O QUE QUISER COM SEU PRÓPRIO CORPO, mas que ELE NÃO PODE IMPOR NADA A NINGUÉM, seja homem ou mulher. Ensine o que é consentimento e o que é estupro, e não se esqueça de ensinar que HOMENS E MULHERES SÃO HUMANOS, e apesar das diferenças biológicas, são A MESMA COISA! Ensine também as diferenças entre gosto, gênero, sexualidade e órgão genital (se precisar de ajuda para entender melhor essas coisas, indico alguns filmes que podem te fazer refletir um pouco: Hedwig and the Angry Inch, Tomboy, Der Kreis, Vi är bäst!, Prayers for Bobby – tem mais, quando eu lembrar eu atualizo), e não se esqueça: Se seu filho for machista, homofóbico, preconceituoso, etc, boa parte da culpa É sua!

Falar de abuso ainda é tabu, e as vítimas são ensinadas, pela sociedade, a se calar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Escrever é fácil, quero ver você se expor.

Sem dúvidas, chegou a hora de voltar. Muito mudei, de lá pra cá. Mas mudei mesmo, será? Sinto que sim, sinto que não. Sinto que mudanças vem e vão. Certamente amadureci e me tornei mais tolerante. Mas muitas vezes também me esqueci do que era mais importante. Eu, sempre me culpando e me vitimizando, passei anos agonizando. Hoje, aos poucos, começo a me libertar. As palavras sempre foram minha arma, não vou mais me calar! Tantos anos perdida, estou começando a me achar! Sei que há muita estrada, e muitos caminhos a percorrer. Meu senso de direção é falho, ainda posso me perder. Mas agora, acredito, vou me conhecendo mais e mais, aos poucos me libertando dos preconceitos mais triviais. Aqui quero me expor, em pensamento e sentimento. O que eu achar, vou falar, mesmo que no dia seguinte eu descordar. Sou inconstante, sempre fui. Mas não busco constância. Busco paz de espírito, busco leveza e me desprender da ignorância. Busco conseguir expressar em palavras o que me corrói a alma. E me libertar, assim, de mim mesma, pois só livre serei feliz, e só feliz serei livre.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Há alguns meses, já, que tento postar algo novo, mas sempre que começo a escrever algo interessante, me pe

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mind your heart

My heart tells me to stay. My mind tells me to go. I don't know wich one to trust. Both are liers, both make me sick. I feel like flying, I feel like dying. I don't know if I like it. I'm sure I'm not able to stop it. I don't know if I want to stop it. I'm happy, but I may be sad. I enjoy this pain, but I hate it bad.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Gratidão

Com certa frequência as pessoas me acham alguém deprimida, sem expectativa para vida. Mas isso é um engano.
Claro, eu sofro como todo ser humano. Eu choro, eu sinto raiva, eu me apego, eu amo e eu me decepciono. Mas no geral, me considero uma pessoa feliz.
Não tenho do que reclamar. Tenho amigos que me divertem, me animam e em quem confio, tenho um apartamento confortável. Tenho comida e bebida. Tenho lugares que gosto de visitar. Estudo, numa boa faculdade, um curso que me agrada.
Claro, eu cometo erros. Mas cometo acertos também. Eu me perco em meus pensamentos, mas também me encontro neles.
Como reclamar? Como ser infeliz? Não, não sou infeliz. Longe disso. Sou grata. Grata por seguir essa vida cheia de surpresas e reviravoltas. Grata pelas amizades que fiz em meus caminhos. Grata pelo ar que entra em meus pulmões. Grata pela natureza perfeita que me rodeia. Grata pelas oportunidades que recebi. Grata por tudo que aprendi com meus erros. Grata por tudo que aprendi com meus acertos.
Grata, porém nunca conformada.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Homens

Nos últimos meses eu tenho chegado à certas conclusões relacionadas aos homens. A grande maioria não é satisfatória.
- Homem não sente culpa, logo faz o que quiser sem se preocupar com os outros.
- Homem é cafajeste. Sempre. Acredita que há exceções? Bem, não há.
- Quando um homem tem uma ereção, todo o sangue que ele precisaria para raciocinar corretamente e tomar decisões certas, está em outro lugar que não no cérebro.
- Homem mente e atua, fala exatamente o que acha que você quer ouvir e faz o que for preciso pra te levar pra cama. Exceto com a namorada. Nesse caso ele só mente e atua, mas é bem menos sedutor.
- Nunca o faça escolher entre você e o video game. Acredite, ele escolherá o video game.
- Por mais que ele diga que você é a pessoa mais linda do mundo, lembre-se: ele te trocaria facilmente por uma capa da playboy.
- Não, você não é a única.
- Tudo o que ele diz à você, ele diz às outras. Quase sempre funciona.
- Se ele falou que vai beber com os amigos, provavelmente é verdade. Mas se ele falou que vai ficar em casa e dormir cedo, provavelmente ele vai sair com a outra.
- Por mais mágico que pareça aquele momento só dos dois, não se iluda. Pra ele é assim com todas.
- Ele pode trair a vontade. Mas se descobrir que você o traiu, a casa cai.
- Não, o amor de vocês não durará pra sempre.
- Homem não tem critérios, pega qualquer coisa com um buraco entre as pernas.

Antes que me xinguem, quero deixar uma coisa bem clara: falo dos homens no geral. Especialmente héteros. Sei que deve haver exceções (apesar de ainda não conhecê-las), e espero de verdade que o que eu escrevi não valha pra você.

Desculpem-me pela revolta contida. A vida de solteira me surpreende a cada dia. De maneiras fascinantes e frustrantes. Mas surpreende. =]


26/11/2015 - Gente, esse texto foi escrito num momento de decepção intensa e revolta grande. Estava sendo objetificada por um homem que eu gostava, e essa objetificação doeu demais. Mas sei que órgão genital ou sexualidade não define caráter. 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nada faz sentido. Tudo faz sentido.


Tenho tanto a escrever, mas não consigo expressar em palavras. Posso culpar a vodka, posso culpar a culpa, posso culpar os outros. Mas não importa, as palavras não se formam coerentemente em meu cérebro, e tudo que consigo são emoções e sentimentos revirados e vomitados.
Nada faz sentido, e tudo faz completo sentido. Tudo se completa e se subtrai, tudo e nada se envolvem numa dança racional, perdida, louca e coerente.
O sentido se perde no espaço e no tempo, e se encontra sem sentido na ilusão e na confusão. Nada faz sentido. Tudo faz sentido. Não é razão, é sentimento, energia.
Palavras vagas e solitárias vagam rapidamente pela minha mente, se complementando, porém sem ligação alguma. Lembranças, momentos, sentimentos, emoções e olhares se fundem no infinito, e refletem uma energia surpreendente. Nada faz sentido. Tudo faz sentido.
Vontade de gritar. Não pelo desespero, mas pelo desconsolo. Não pela solidão, mas pela falta daquilo que não existe. Raiva e atração se misturam dolorosamente. Decepção e compreensão se fundem num baque ensurdecedor. Nada faz sentido. Tudo faz sentido.
Perdida num mundo inexistente, com um mapa incoerente nas mãos. Tantas escolhas, tantas oportunidades, tantos erros, tantas ansiedades. As cores refletem em seus olhos as lágrimas contidas. O coração acelerado denuncia. Nada faz sentido. Tudo faz sentido.
O sorriso vago responde as perguntas nunca pronunciadas, e termina um diálogo inexistente. Assim, simplesmente assim, tudo se perde e tudo se acha. Um suspiro falho se coloca no lugar de todas aquelas palavras que ansiosamente sairiam pelos seus lábios, e pontua uma conversa irracional.
Assim, simplesmente assim, tudo faz sentido. E nada faz sentido.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

The Void


Ela já não sabia como se sentia. Não era desespero. Não era dor. Era nada. Era um vazio que se alimentava de vestígios de sentimentos mal sentidos. Um vazio que crescia a cada instante. Um vazio inacabável.

Então ela dormiu. Acordou vagamente melhor, e esperou por uns minutos que tudo melhorasse, que esse sentimento inexistente, vazio, passasse. Mal sabia ela que não é assim tão fácil. Mal sabia ela.
Porém o inesperado aconteceu. Com vagos pensamentos e singelas inexpressões o vazio foi se enchendo, e aos poucos se preenchendo, até que no negro do nada, cores, paisagens e felicidades se instalaram, brilharam. A luz iluminou o não mais nada, o não mais vago, e de felicidade seu vazio se encheu, passando então a ser cheio.

Final

Lá estava você, sozinho naquele vilarejo fétido e sujo, sabendo que não havia o que fazer... Sabia que seu fim não seria em sua confortável casa da alta sociedade. Seria lá, entre tantos desconhecidos que nem se atreviam baixar o olhar pra um ser tão repugnante quanto você.
Seus minutos estavam contados, e já não havia esperança outra que não morrer.
Não, não morreu tão facilmente assim, e lá ficou ainda por meses, sofrendo, rastejando e se humilhando por um pedaço de pão.
E assim se passaram os últimos momentos de sua vaga e inútil vida.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Passion


Dificilmente eu me apaixono por alguém. Gosto, sinto uma atração enorme, mas paixão mesmo, daquelas avassaladoras, de tirar o fôlego, é muito raro. Tenho amores platônicos, recíprocos ou não, mas raramente a paixão. Ao menos por pessoas que existem.
Me apaixono facilmente por personagens, por ficção. Me apaixono pra valer, perco o fôlego, fantasio, sofro... E como toda boa paixão, logo passa.

Quando paro pra pensar na razão disso, uma das conclusões que eu chego é que sou exigente demais. E tenho medo. Bastante medo. Não baseado em minhas experiências anteriores, pois sempre que me apaixonei por alguém tudo deu bastante certo - dentro do possível. Meu medo é irracional, provavelmente baseado na minha falta de jeito ao lidar com as pessoas e na minha incapacidade em demonstrar o que penso ou sinto.

Queria me apaixonar por alguém palpável. Queria sentir aquele frio na barriga ao encontrar a pessoa. Queria suspirar sem razão aparente. Queria algo intenso e passageiro. Ah, que saudades de me apaixonar...

sábado, 8 de maio de 2010

Frustração



Acordei me sentindo péssima. Péssima, sozinha, perdida e doente. A falta de ânimo me corroe por dentro, me esmaga e me sufoca. A incapacidade de terminar as coisas que começo parece cada dia maior, e a cada dia me desanima mais.
Me sinto podre, suja e vil. Eu traio a mim mesma a todo instante. Traio meus sentimentos e sou traída por eles.
Tantas idéias, tantas vontades... sempre oprimidas pelas obrigações e pelos deveres. E a cada dia surgem mais obrigações e deveres, que sufocam ainda mais minhas idéias e vontades, que acabam perdidas entre tantas outras, nunca realizadas...
Frustração. É essa a palavra que me define hoje.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Insônia

Pensamentos a mil, meu cérebro exaustivamente funcionando. Insônia corrompe minhas noites há semanas já. Desespero, sono, canseira. Dificuldade extrema em dormir. Momentos exaustos e incansáveis me virando e revirando em minha cama, de um lado para o outro. Olhos fechados, mente esperta, trabalhando e funcionando. Criando textos, situações, oportunidades aproveitadas e perdidas. Imaginando coisas, cenas.
Ansiedade? Muita. Razão desconhecida.
Argumentos, situações - desejáveis e indesejáveis, momentos, pessoas, angústias agonia, alegrias. Isso tudo não para de saltar em minha mente como fleches ofuscando minha vista sem me deixar dormir...
Estomago dói, de leve. Ansiedade floresce mais e mais a cada instante, sem um motivo aparente. Mente funcionando e funcionando...
Por mais cansada que eu esteja, minha mente cada vez mais se mantém a mil, aparentemente incansável, porem exausta.
Ansiedade, nervosismo. Vazio.
Argumentos, reflexões, distorções. Pensamentos voam de modo conturbado e turbulento, com trancos e solavancos.
Minha vontade de dormir é muita, e meu corpo jogado, caído, numa cama confortável em um quarto escuro, simplesmente esquecido está num estado de exaustão absurda.
Dor em todos os músculos, na cabeça, no coração.
E assim mais uma noite de minha vida se passou, inutilmente demorada.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cursed



Há quanto tempo ele não se apaixonava? Não saberia responder. Provavelmente nunca se apaixonara. Não lembrava de um dia ter sentido algo que valesse a pena por alguém. Nunca conhecera alguém que fizesse seu coração disparar e o ar em seus pulmões sufocar. Nunca conseguira gostar tanto de alguém a ponto de esquecer de si mesmo, mesmo que só por alguns instantes.

Por quê? Por que não conseguia sentir?

Ele, sempre tão racional, não sabia o que era amar, sentir. Sabia descrever o amor, especialmente como um problema, mas nunca sentira. Já dissera "eu te amo", mas nunca sentira.

E a cada dia ele estava mais longe de sentir, e sabia disso. Não gostava dessa idéia, mas não fazia nada pra mudá-la. Ele prezava a razão, a inteligência. E na cabeça dele não era possível ser inteligente sem ser frio. Para ele, sentimento e razão eram tão próximos quanto ciência e religião.

Talvez fosse isso mesmo. Talvez seja necessário fazer de tudo para não sentir quando se quer fortalecer a inteligência. Talvez seja necessário ser frio. Doa a quem doer.

Mas me parece muita burrice se privar dos sentimentos... Especialmente quando a dor ainda é sentida.

"...Cursed, cursed
A gloomy sense of sadness
Impaled my arid heart
To the sceptre of melancholy..."

terça-feira, 20 de abril de 2010

Querido diário...




Querido diário.

Eu estou tão cansada. Tão cansada de começar textos promissores e não ser capaz de acabá-los. Tão cansada de acabar textos que me agradam e não ter coragem de postá-los. Tão cansada de salvar postagens que nunca terminarei, e que se terminar, nunca publicarei. Tão cansada de julgamentos, especialmente daqueles que eu mesma crio. Cansada da saudade daquilo que não sou, e da vontade daquilo que não posso.

Queria poder descansar.

Mas antes, tenho textos para postar.

I'm Only Sleeping



Ah, como ela sentia falta daquele rock'n'roll, daquela vida sem limites, sem feio ou bonito, sem certo ou errado.
Sentia falta de quando seu mundo era mais diversão, menos preocupação. De quando tudo podia. Sem olhares, sem receio.
Sentia falta de sentir loucamente, de amar intensamente. Mesmo que só por um breve instante.
Sentia falta daquela empolgação que cada momento propunha. Do arrepio que a música causava no mais profundo de sua alma.
Sentia falta de não pensar no amanhã, do carpe diem e do romantismo.

Quando ela deixou que isso tudo se perdesse?

sábado, 10 de abril de 2010

...



Onde eu perdi minha capacidade de sentir? Não, onde eu perdi minha capacidade de usar o que eu sinto para escrever?

Em algum ponto entre minha infância e hoje.


E agora?

domingo, 7 de março de 2010

01/02/2010 - Querido diário:



Hoje eu tive um dia cheio. Não me lembro de tudo, só do mais importante: Tomei sorvete, criei uma conta fake no yahoo, me despedi de um primo que está indo para Londres, comprei um Staff novo, matei um tirano, transformei meu namorado em rei, levei um fora do novo rei, dei em cima de um elfo, um elfo deu em cima de mim, fugi de uma cadeia, acabei com tráfico de escravos elfos, salvei uma anã e acabei sozinha em Orzammar. Quests futuras: Traduzir um episódio no qual a Nina vai viajar para o Havaí, recuperar a espada de um companheiro meu, ir até o banco pegar um extrato, até o sacolão para comprar umas frutas, e até Redcliffe encontrar meu exército.


Melhor eu dormir logo, amanhã também será um dia cheio... =P

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Recomeço

Bem, depois de uns 10 meses sem escrever, aqui estou eu, de volta, completamente “sem-vergonha”, como se eu nunca tivesse deixado de escrever. Ahá!

Na maioria das vezes, quando uma pessoa começa um blog, o primeiro post acaba sendo meio que “introdutório”, explicando de onde veio a idéia de criar um blog, o nome do blog, etc...
Este post não passa disso. Um post introdutório, explicando o recomeço do blog, entre outras coisas.

Primeiro o nome. O antigo, Inferno Superior, foi deixado para trás por alguns motivos:
- As pessoas costumavam se assustar com o nome, olhar pra mim meio incrédulas como se pensassem “nossa, mas você, tão bonitinha e meiga, com um blog tão.... ‘dumau’?”. E eu sempre começava o mesmo discurso: “Ah, sobre o nome do blog, eu sei que parece meio forte, mas lê o primeiro post que eu explico de onde veio a idéia, ok?”. Quantas destas pessoas eu acho que realmente leram o primeiro post? Zero. Quantas eu acho que ao menos entraram no blog e viram que não fico dissertando sobre rituais sangrentos? Uma, talvez duas, depois de eu insistir...
- Pra mim, Inferno Superior não faz mais sentido. Não que fizesse muito sentido antes, mas fazia algum. Agora, não faz sentido at all. Até mesmo porque...
- ... esse nome me lembra demais um grande (ex-)amigo, que eu amava muito, mas que acabou me magoando tanto que até hoje, quase um ano depois, ainda sinto meu coração partido quando penso nele. Assunto para outro post. Ou não.
A antiga aparência do blog também não estava me agradando mais. Não que a atual esteja me agradando muito, mas me parece melhor que a anterior. Aliás, fiéis e numerosos leitores (ha ha), eu aceito sugestões.

Às vezes eu me pergunto qual o motivo de eu ter parado de escrever no blog... Encontro muitos. Mas atualmente, sempre que penso nisso, a primeira coisa que me vem à cabeça é “oras, eu não gosto do nome do blog, nem da aparência, e não tenho tempo/disposição para mexer nisso agora”. Bem, neste momento eu estou com disposição para escrever, e é o que estou fazendo. O resto é resto.

Agora, sobre o motivo de eu estar voltando a escrever aqui... Bem, eu sinto falta de escrever. Eu sinto falta de expressar minhas idéias publicamente (não que eu tivesse total liberdade pra fazer isto aqui, pois vez ou outra, histórias fictícias - na verdade um texto que escrevi - resultaram em “pequenos” desentendimentos aleatórios...), sinto falta de parar alguns minutos por dia e me dedicar a escrever - ou a tentar escrever - algo ao menos um pouco interessante. Sinto falta da expectativa de receber algum comentário, e de, talvez, entreter alguém por um ou dois minutos. E acho que o filme que vi ontem meio que sem querer (eu não ia ver o filme, só os créditos... mas acabei vendo o começo e me pareceu interessante...), me incentivou um pouco. Julie e Julia.

Como o ser-humano patético que eu sou, sempre acabo criando metas. Para este blog eu tenho algumas. Entre elas: Não abandoná-lo tão rapidamente; Não cobrar tanto de mim mesma; Sempre arrancar pelo menos um sorriso de meus leitores (vocês podem me avisar quando eu conseguir. Ficarei feliz! xD); Não criar posts só por causa da primeira meta que citei; Não escrever textos longo demais, ou curtos demais; Gostar do que escrevo; Blá blá blá. Já deu pra entender, ? Não são metas fáceis. Pelo menos não tão fáceis. Aliás, aquela sobre o tamanho do texto já foi quebrada.. Bem, paciência.

Acho que por hora basta. Espero ansiosamente por comentários, críticas e sugestões... ;D

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sabotagem

Sabotagem artística. Sabotagem criativa.
Eu saboto eu. Eu saboto mim. Mim sabota eu. Mim sabota mim.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mais uma meta mal-criada e mal-cumprida.

Pensando na minha semana de "férias", até dia 30, resolvi criar uma meta. Escreverei um texto para o blog por dia. Inspirada ou não, sobre coisas úteis ou não, mas escreverei. Ao menos durante essa semana.

E, indo contra minha mais nova meta, isso não é um texto para o blog. Não é pra ser! É pra ser só mais um post idiota e irrelevante.

Mas, com ajuda de Odin, hoje mesmo voltarei com algo menos chato e mais criativo.

Por hora, voltarei às minhas férias. Não, melhor. Por hora voltarei ao meu mundo lindo e mágico dos sonhos que não envolvem vestibulares assustadores, pânico e depressão. 

domingo, 23 de novembro de 2008

Insensato

É incrível como pessoas que um dia eram tão importantes em nossas vidas se distanciam por motivos tão claros e tão escuros. E é incrível como pode ser dolorosa essa separação em um momento, mas com o tempo essa dor some deixando apenas lembranças muitas vezes foscas.
Eu já tive, acho, todo tipo de “rompimento”. Já magoei, já fui magoada. Fiz muita merda, e aprendi muita coisa com isso. Fui perdoada, já perdoei. E, de repente, amizades que pareciam mortas, enterradas e esquecidas voltam, muitas vezes trazendo espanto. E amizades que pareciam eternas, fortes e sinceras evaporam-se ao piscar de olhos.
Pessoas que tanto me importavam, com quem eu tanto me preocupava, de repente parecem ser só mais um no meu círculo social. E sinto a reciprocidade dessa sensação.
Na verdade já me cansei dessas coisas. Cansei de me importar. Ainda me importo, me preocupo, e muito. Mas com poucos. Tenho medo de perder algumas pessoas de minha vida, e tenho medo da nostalgia que me causará lembrar de tantos momentos bons que tenho passado. Tenho medo de magoar pessoas que acredito amar, e tenho medo de ser magoada. Sei que com o tempo a dor da perda diminui bastante, chegando até a desaparecer, restando somente a saudade, em alguns casos. Aliás, quando não resta saudade ou nostalgia é triste demais. Ou por que não foi intenso e importante o bastante, ou por que restou mágoa.
Hoje mesmo, mais uma vez, essa confusão de relacionamentos me tirou o sono. Me senti muito deslocada onde eu não devia, com pessoas que convivem comigo há um bom tempo já, e que conheço (ou acho que conheço) muito bem. Já faz um tempo que me sinto desse modo nessas horas. O pior é que a pessoa que mais faz com que eu me sinta tão mal, é uma das pessoas que mais me importou por muitos anos, e uma das pessoas que mais acreditei amar. Hoje não sei mais se existe nem mesmo amizade ali. Sinto uma agressividade bem disfarçada, um rancor transparente. Isso já me doeu muito, mas acho que aprendi a me importar menos. Não nego que dói ainda. Não gosto de sentir que uma pessoa que já foi tão importante na minha vida de repente se tornou só mais uma que me despreza. Acho que o que mais me dói hoje é perceber que tenho deixado de me importar com ela, e que tem deixado de me fazer diferença o que ela acha de mim. É assustadora essa sensação, ao mesmo tempo que muito boa.
Amizades são assim. Não sei mais se existe amor. Só sei que existem pessoas pelas quais eu realmente acredito sentir isso. E sei que esse “amor” pode simplesmente sumir com o tempo, mostrando que não era amor, e sim afeição, carinho e vontade de estar presente na vida da pessoa.



Ok, existe uma pessoa cujo meu amor é inegável, inexplicável, inacreditável, invariável, inabalável e inenarrável: mãe, sem dúvidas eu te amo, e ambas sabemos que nunca haverá uma barreira que impeça esse sentimento tão puro que há entre nós. Nunca haverá um precipício nos separando.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A cada instante que se passa eu sinto o fim mais próximo. O fim do dia, da semana, do mês, do ano... da vida.

Mas antes do fim, tenho a 2ª fase da Fuvest, e agora é isso que me importa.

The End

Uma semana estudando mais do que é saudável, então uma tarde inteira de domingo focada na minha desgraça acadêmica, seguida de mais uma semanas de estudos, preparando-me para o fim.
Dói, o fim dói.

E, pra piorar minha situação, após perder sem querer uma aula de história maravilhosa, com todos meus livros e materiais presos no interior da sala, me impossibilitando de estudar, tento me acalmar com um breve jogo de paciência no computador da biblioteca e descubro que não me deixam jogar. Alguém tem uma noção da dor que isso me causou? Alguém consegue entender como minha tarde já perdida conseguiu afundar mais e mais, como numa areia movediça?

Alguma perspectiva pro meu futuro? Não, nenhuma.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Do You Have Gaps in Your Knowledge?




Where you have gaps in your knowledge:

No Gaps!

Where you don't have gaps in your knowledge:

Philosophy
Religion
Economics
Literature
History
Science
Art


Peguei no Inferno Inferior!

E as suas falhas, quais são? Descubra!

Caros leitores...

Por causa de severos pedidos, o texto "Depois de mais uma noite mal dormida...", do dia 30/10/08, está por tempo indefinido fora do ar.
Por decorrência de desentendimentos, acho necessário ressaltar mais uma vez que o texto é fictício e não retrata a minha vida pessoal. Não que eu me importe, mas aparentemente existe gente que se importa. 

Desculpem-me pelo transtorno. Desculpem-me pelo aparente descaso. Prometo em breve voltar com novos textos, novas ficções, novas idéias e novos plágios

Sei que é de difícil compreensão, mas apesar de ser uma pessoa fria e sem sentimentos, sou vestibulanda, sofro pressão e tenho menos de 2 semanas pra prova decisiva do meu ano.

Obrigada pela compreensão. Até breve.

Edit 04/08/2017: Depois de quase 10 anos, sinto que finalmente me libertei e posso ser sincera. O texto foi tirado do ar pois, apesar de ser retratado como ficção, o ex-marido da minha mãe (aka meu pai), ao ler o texto, identificou a situação como a que ele nos submetia. Por mais que eu falasse que era ficção e soubesse que quem não era próximo de mim não saberia que era real, ele se enfureceu ao ler o texto, quebrou portas, objetos, por pouco não quebrou minha cabeça. Ao ler o texto ele teve sua maior surtada comigo, e fui pela primeira vez agredida fisicamente por ele (que me enforcou num momento de ódio, deixando hematomas no meu pescoço e muita dor - emocional e física). Fui obrigada a tirar o texto do ar (algum tempo depois dele ir embora eu o repostei, afinal não aceitarei nenhum modo de censura). E hoje, finalmente, me sinto capaz de assumir que sim, a história era real. E sim, eu estava certa, minha mãe não mais o amava e só esperava uma oportunidade para se separar. Essa oportunidade veio 1 ano e 4 meses depois do meu texto. 1 ano e 4 meses de muita dor e muita tortura psicológica. Pra ele, 1 ano e 4 meses de mordomia, comida servida na mesa, roupa lavada, casa limpa, bebedeira toda noite, perda total em carro (no meu, diga-se de passagem), e inúmeros outros comportamentos inaceitáveis. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Depois de mais uma noite mal dormida...

Ela sempre voltava pra casa. Não gostava, não queria, mas sempre voltava.
Algumas vezes, não muito raras, a princípio não se arrependia. Quando o farol de seu carro iluminava o canto abandonado e vazio onde aquele carro capenga (o qual ele dirigia com tanto orgulho) deveria estar - e não estava, já sentia um leve conforto e alguma esperança de poder finalmente ficar na sala com sua mãe, conversar e, se desse sorte, até mesmo ver um filme.
Quando ele ficava até altas horas no bar, com seus tão queridos companheiros, "amigos de verdade", ela se sentia leve, feliz e à vontade. Não pela desgraça disso tudo, mas somente pela ausência dele, o que ela tanto prezava. Claro, esses sentimentos a invadiam rodeados de culpa, e assumí-los era difícil, mas quem podia culpá-la? Tudo que queria era sua paz, e quando a tinha, se felicitava. Mesmo sabendo que no fundo preferia poder chamá-lo de pai sem sentir nojo, desprezo. E mesmo sabendo que ele iria voltar.

Ele também, sempre voltava.

Essa era a pior parte da noite. Claro, enquanto ele não aparecia, ela não desgrudava de sua mãe, aproveitava cada precioso momento a sós como se fosse único, o último, com conversas, idéias, perguntas e risadas.
E claro, quando ele voltava, bêbado e amargurado, por mais distante que ela estivesse, não conseguia desprender a atenção das conversas (as quais na maioria das vezes era muito fácil de ouvir, já que eram aos berros), sempre se assustando com o silêncio e sentindo medo. Medo da loucura daquele, dito pai, estar fora de controle. Medo de seus berros e de sua violência. Um medo maldito que a acompanhava até mesmo em seus sonhos.
Porém sabia que só sentia medo pois nunca soubera de ele ter batido em sua mãe, só sabia das coisas quebradas pela casa. Sabia que dificilmente ele tocaria um dedo nela (enquanto a loucura estivesse "controlada") e sabia que se ele ousasse, o medo que ela sentia sumiria facilmente, sendo substituído por uma ira incontrolável que definitivamente seria devastadora e descontrolada, provavelmente terminada em morte. E era por isso que tinha tanto medo.
A pior coisa de tudo isso é que ela sabia que ainda não havia como essa situação mudar. Ele não tinha pra onde ir, não tinha dinheiro e nem como se sustentar. Por enquanto continuaria em sua casa. E continuaria bebendo, gritando, xingando e quebrando coisas. Porém quanto mais tempo passava, intimamente mais ela acreditava que tudo se resolveria. Ela via que sua mãe não o amava mais, e ela sabia que tudo que faltava era tempo e dinheiro.
Então ela se contentou em, ao menos por um tempo, se empenhar somente em tirá-lo de seus sonhos, e tentar idealizar uma imagem dele longe, distante, constante e muito, muito mais amigável.
Por enquanto isso bastava.



Por enquanto.


Qualquer semelhança com fatos reais é pura coincidência. Narração meramente fictícia. E sim, uso trema e usarei até o final do ano. A lei que me impeça!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mais um desses....

Tenho estado muito, muito deprê essa última semana. Não sei o porquê, mas gosto de culpar TPM. Dores de cabeça, cólicas, mal-humor... Típica TPM. Depressão também. Por que não?
Mas o que mais fode com tudo é minha vontade absurda de escrever e a incapacidade que tenho sentido quanto a isso. 
Coisas acontecem, pessoas passam, sons se revelam... Cada suspiro tem uma linha em um texto pré-fabricado, bem lá no fundo de meus pensamentos... Naquele lugar empoeirado e sujo, que evitamos ao máximo. Aquele mesmo lugar em que poesias já escritas e jogadas fora se auto recitam em silêncio. Naquele mesmo lugar em que guardamos palavras não ditas e rancorosas de momentos frustrados. Naquele mesmo lugar em que aquela frase tão boa e marcante está esquecida. Enfim, aquele canto do cérebro quase que ignorado, onde as melhores idéias se escondem, fingindo querer serem achadas, mas na verdade com muito medo de serem expostas. 
É, isso acontece com freqüência com minhas idéias, meus textos semi-prontos, cartas mentalmente escritas, conversas inventadas, cores misturadas, movimentos retratados, momentos visualmente fotografados... enfim, com tudo que poderia virar algo com o que se valesse a pena gastar 5, 10, 30 minutos de um dia vazio.
Gosto de culpar a TPM. "É, eu sei... não posto há dias... mas sabe, ? TPM, canseira... Quem sabe semana que vem?" Sempre funciona! Sempre. Por que abandonar um "argumento" que funciona tão bem? Hã? 
Te digo o porquê. Porque é um argumento vazio! TPM, depressão, dor... Tudo pode virar poesia. Tudo pode se transformar em arte. Talvez não seja a TPM o que me atrapalha tanto, mas sim minha incapacidade de assumir que não sou perfeita, que não sou uma máquina de escrever ambulante. Ok, talvez eu até seja, mas definitivamente nem sempre tenho papel ou tinta, e com certa freqüência sofro de teclas, letras, quebradas...
Porra, talvez seja a hora de evoluir e virar um notebook... Ou não, quem sabe comprar um não resolva meu drama? Assim, sempre que um daqueles pensamentos mentalmente escritos e organizados, prontos pra se tornarem um bom texto, virem à tona, é só digitá-los e salvá-los em um HD melhor, menos sujo e empoeirado que o meu canto sombrio cheio de idéias...
É, quem sabe...?




Esse é dedicado ao Pinto, simplesmente pelo fato de ter sido o primeiro a ler e ter me agüentado enquanto eu tinha um ataque, escrevia como uma retardada bitolada e desligava a tela do PC quando ele se aproximava, dando chiliques como "Ah, odeio que me olhem enquanto 'crio'!!!"... hehe

Vida

Tem certas coisas que simplesmente acontecem...
Tem certas coisas que não conseguimos entender...

Pro inferno com essas coisas, e "ai" de quem questionar minha capacidade de compreensão!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Nada

Imagine o nada....

Que cor tem?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ficção

Olhando pela janela, nada via a não ser aqueles belos campos, com a mais linda luz que o sol, preparando-se para se por, poderia oferecer. Tudo estava calmo, as árvores e as plantações moviam-se levemente ao soprar suave da brisa.
Seu rosto estava tranqüilo e relaxado. Quem a visse, sentada à janela, somente pensaria que estava a admirar a bela paisagem. Porém sua mente estava acelerada, e pensava em muitas coisas ao mesmo tempo.
Sabia que naquele instante a ignorância predominava em algum lugar da vila. Sabia que não haveria o que fazer, e nem pra onde fugir.
Sentia medo, mas seu maior sentimento era pena daquelas pessoas ignorantes que deixavam-se levar por sua crença estúpida em um deus vingativo.
Sua consciência estava limpa. Nunca havia feito mal a ninguém, e sempre ajudou a todos que pode. Seu maior mal havia sido questionar aquela religião perversa e cultivar um amor maior pela vida que pelo deus católico.
O sol começou a se por. Em breve seria possível ver a multidão se aproximando.
Silêncio total, quebrado pela sua respiração arfante. Nenhum animal se manifestava. Estava claro que eles se aproximavam.
Poucos instantes depois já era possível ouvir os rugidos raivosos daquelas pessoas que nunca haviam demonstrado ódio por ela. Eles tinham fogo, e eram muitos. Na frente, guiando-os, vinha o dito sacerdote cristão. Gritava fervorosamente mentiras e falsos pecados, incentivando-os a avançar. Em seus gritos ele dizia que seria um pecado imperdoável deixá-la viver, e que Deus os puniria por isso.
A pena que ela sentia aumentou, e tudo que foi capaz de fazer foi soltar um suspiro que pairava entre a indignação e a piedade.
Os instantes se passavam e ela sabia que a hora se aproximava. Não havia o que fazer. Levantou-se a abriu a porta, em uma tentativa de evitar maior destruição. Voltou a sua cadeira e, com seus olhos fechados, tentou se desligar dos gritos e xingamentos. Respirando muito devagar, deixou-se levar pela energia que a dominava. Bebeu daquele liquido amargo e forte que há tantos dias preparara e deixou-se relaxar.
Segundos depois suas janelas foram quebradas e sua casa invadida. Para a decepção do povo, encontraram-na ali inconsciente. Morta? Talvez não, mas certamente sem consciência alguma do que se passava.
Obviamente isso não os impediu de queimá-la viva na fogueira já armada mas, definitivamente, a falta dos gritos agoniados tirou a maior parte do prazer que eles tinham em matar e nome de seu Deus.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

10 minutos da Revolução Francesa



Silêncio total. Os únicos sons existentes eram a respiração apreensiva do povo e os passos incertos daquele que, há tão pouco tempo, fora rei.
Ruas sujas, dia sombrio. Com um capuz preto sobre seu rosto, andava aos tropeços pelas ruas desregulares, aquelas em que nunca havia pisado. Por sinal, aquelas mesmas ruas que tanto desprezara no auge de sua arrogância e de seu poder.
Passara os últimos dias preso, esperando por seu julgamento. Agora, considerado culpado, ia à guilhotina.
Um homem corpulento ia ao seu lado, empurrando-o entre aquela multidão incrédula.
O tempo parecia não correr. Sentia que a cada passo sua vida se desfazia. Uma vida tão luxuosa, tão rica e sempre tão arrogante, agora estava a se dispersar.
Finalmente a guilhotina. Obrigaram-no a ajoelhar-se perante a Morte, obrigaram-no a posicionar-se desajeitadamente na guilhotina. Fedia, tanto a guilhotina como ele mesmo. Um cheiro que havia sentido muito nos últimos dias. Cheiro de morte, de podridão.

A hora chegara. A qualquer instante aquela lâmina separaria sua cabeça de seu corpo.
O frio da lâmina mal tocou sua nuca e percebeu o sangue jorrando, aquecendo seus últimos segundos de vida. Logo em seguida, já sem entender nada, sua cabeça foi levantada, exposta ao povo. A última coisa que percebeu foram rugidos de alegria.

Adaptação da narração que o professor Vínicius nos contou sobre e Revolução Francesa.
Pensei em postar junto a parte do jogo do Corinthians na última Libertadores, mas resolvi ser legal por hoje.